Dossiê

Janones, o bobo numa corte de palhaços

De Ituiutaba ao "nosso general": dez anos de André Janones em ordem cronológica, com as fontes de cada fato.

Por Renato Esteves · Atualizado em 2 de novembro de 2026
Foto de capa
Reprodução/Internet

"Nosso general"

Na noite de 25 de outubro de 2026, no primeiro discurso depois de reeleito, Lula (PT) agradeceu ao "nosso general": o deputado federal André Janones (Rede-MG) (AFP, via Buenos Aires Times).

Janones comandava o "Exército do Lula", canal de WhatsApp que tinha cerca de 60 mil seguidores depois do primeiro turno e chegou a quase 11 milhões no dia da votação (Al Jazeera). Analistas ouvidos pela CNN atribuem a virada de Lula, em parte, a essa mobilização.

O caminho até aquele palanque começou dez anos antes, com uma derrota numa cidade do Triângulo Mineiro.

Linha do tempo: dez anos de Janones
Fonte: Dossiê, a partir das fontes listadas ao final · 2016 a 2026. Toque na imagem para ampliar.

Os fatos estão em ordem, sem escala de tempo; cada cor indica o tipo de fato, detalhado nos capítulos abaixo.

2016 a 2018: de Ituiutaba à Câmara

Em 2016, o advogado André Janones disputou a prefeitura de Ituiutaba (MG) pelo PSC e ficou em segundo lugar, com 13.759 votos (BP Money). A campanha deixou dívidas que voltariam ao noticiário sete anos depois: numa gravação de 2019, ele diz ter perdido casa, carro, poupança e previdência privada naquela eleição (TNH1).

Em maio de 2018, durante a greve dos caminhoneiros, ganhou projeção nas redes ao se apresentar como porta-voz da categoria, sem ser caminhoneiro (IstoÉ). Em outubro, foi eleito deputado federal pelo Avante, com 178.660 votos (BP Money).

Tomou posse em 1º de fevereiro de 2019. Quatro dias depois, reuniu a equipe numa sala de reuniões da Câmara.

2019 a 2021: a reunião de 5 de fevereiro e o auxílio de R$ 600

Em 5 de fevereiro de 2019, quatro dias depois da posse, Janones fez uma reunião de 49 minutos com funcionários do gabinete, numa sala da Câmara (Diário do Nordeste). O então assessor Cefas Luiz gravou a conversa, que só viria a público em novembro de 2023 (DGABC).

Na gravação, ele diz que alguns funcionários receberiam salário maior para ajudá-lo a pagar as dívidas da campanha de 2016. Também diz que não é justo ganhar R$ 25 mil e usar R$ 15 mil para pagar essa dívida (Correio, com Estadão).

Em 2019 e 2020, com o nome negativado no SPC e no Serasa, Janones teve despesas pessoais pagas pelo cartão de crédito de um assessor. Ele mesmo reconheceria isso em 2025, no acordo com a Procuradoria-Geral da República (DGABC).

Em 2020, na pandemia, o governo Jair Bolsonaro (então sem partido) reduziu o auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300. Janones liderou nas redes a campanha pela volta dos R$ 600, com transmissões ao vivo das sessões da Câmara, e foi por três semanas seguidas o deputado mais influente das redes no índice da FSB (Poder360/FSB; Manchetômetro).

Ontem e hoje

Dezembro de 2023. Janones disse que a proposta foi feita "quando ainda não era deputado", a pessoas que ainda não eram assessores, e que não foi posta em prática porque a advogada vetou (O Povo).

O registro. A reunião foi em 5 de fevereiro de 2019, depois da posse, segundo os ex-assessores e um segundo trecho do áudio publicado pelo Metrópoles em 4 de dezembro de 2023 (mesma fonte). Em 2025, no acordo com a PGR, ele admitiu as despesas pagas pelo assessor em 2019 e 2020.

Em 2022, os seguidores conquistados com o auxílio viraram uma candidatura a presidente.

2022: o pré-candidato que virou "general"

Em 2022, o Avante lançou Janones à Presidência. Em julho, ele tinha 2% no Datafolha e defendia o auxílio de R$ 600 permanente (Correio Braziliense).

Em 4 de agosto, numa transmissão ao vivo ao lado de Lula (PT), retirou a candidatura e passou a apoiá-lo já no primeiro turno (Poder360). Ficou acertado que ele integraria o núcleo de redes sociais da campanha (Tribuna de Jundiaí). Tinha, então, 12 milhões de seguidores (Congresso em Foco).

A campanha de Jair Bolsonaro (PL) foi ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedir a suspensão das redes dele. Os advogados o chamaram de "fábrica de fake news" e pediram também a cassação de Lula e Geraldo Alckmin (PSB) (Poder360). O TSE não suspendeu as contas, mas decidiu caso a caso:

Data Decisão do TSE Fonte
27/08/2022 Raul Araújo nega remover vídeo que responsabiliza Bolsonaro pelas mortes na pandemia O Antagonista
08/09/2022 Paulo de Tarso Sanseverino manda excluir três publicações que associavam Bolsonaro à suspensão do piso da enfermagem Metrópoles
18/10/2022 Prazo de três dias para Janones explicar publicações contra Bolsonaro Poder360
22/10/2022 Sanseverino manda o Twitter apagar duas publicações, uma delas chamando Bolsonaro de "miliciano" Revista Oeste
24/10/2022 Alexandre de Moraes, ministro do STF e presidente do TSE, manda remover publicações que ligavam Bolsonaro a Roberto Jefferson e fixa multa de R$ 100 mil por nova manifestação sobre o tema O Povo; Money Times

Roberto Jefferson, ex-deputado do PTB, tinha recebido a tiros e granadas, um dia antes, os agentes da Polícia Federal que foram cumprir sua ordem de prisão (Agência Brasil, via A Gazeta).

Em outubro, Janones foi reeleito deputado com 238.967 votos (BP Money). Lula venceu o segundo turno em 30 de outubro.

Ontem e hoje

Agosto de 2022, à Folha. "Tecnicamente falando, eu não divulguei nenhuma fake news" (Mais Goiás, com Folha).

Outubro de 2023, ao Poder360, sobre o próprio livro. "Eu manipulo a informação" (Poder360).

Um ano depois da eleição, ele mesmo contaria, em livro, o que fez às vésperas do último debate.

2023: o livro, a condenação e o áudio

Em abril de 2023, a Justiça de Minas condenou Janones a indenizar em R$ 5 mil o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por publicações que insinuavam envolvimento do colega com casos de pedofilia (Estado de Minas; Revista Oeste). Em 29 de setembro, a sentença foi confirmada, e Janones disse que cumpriria a decisão (Poder360, via Terra Brasil).

Em 28 de outubro, o jornal O Globo revelou o conteúdo do livro "Janonismo cultural: o uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil", lançado pela editora Record em 20 de novembro (Record). No capítulo "O celular de Bebianno", ele conta que inventou estar com o aparelho de Gustavo Bebianno, ex-ministro de Bolsonaro morto em março de 2020, pouco antes do debate da TV Globo, o último antes do segundo turno de 2022 (Folha PE). O livro também relata o boato de que Fernando Collor (PTB-AL) seria ministro num segundo governo Bolsonaro (Poder360).

Janones disse que O Globo mentia: o livro trataria de blefe, não de notícia falsa. Admitiu que seu método era "eticamente duvidoso" (Gazeta do Povo). Em 30 de outubro, 41 deputados de oposição protocolaram no STF um pedido para que ele fosse investigado (Poder360) e incluído no inquérito das fake news (Gazeta do Povo). A defesa de Bolsonaro levou o livro ao TSE para tentar reabrir o processo de cassação (BNews).

Em 27 de novembro, o Metrópoles publicou a gravação de 5 de fevereiro de 2019. Janones chamou o áudio de clandestino, disse que foi tirado de contexto e afirmou ao UOL que nunca fez rachadinha nem recebeu dinheiro de assessores (TNH1). Rachadinha é a prática em que o parlamentar fica com parte do salário dos próprios assessores. Ele também chamou as acusações de "fake news" e culpou a extrema direita (Gazeta do Povo).

No dia seguinte, pediu a seus "soldados" que o defendessem nas redes (DGABC). Os ex-assessores Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira afirmaram que o esquema foi posto em prática (Gazeta do Povo, mesma reportagem).

Ontem e hoje

Novembro de 2023. Janones disse que o áudio tratava de uma "vaquinha" voluntária: "Que rachadinha é essa quando a pessoa ganha R$ 15.000 por mês e devolve R$50?" (Poder360).

Março de 2025. No acordo com a PGR, admitiu formalmente o crime e se comprometeu a pagar R$ 131 mil à Câmara (Jovem Pan).

Em 2024, o caso seguiu por dois caminhos: o Conselho de Ética da Câmara e a Polícia Federal.

2024: o arquivamento, o shopping e o indiciamento

Em janeiro de 2024, a Polícia Federal informou ao STF que via indícios de desvio de recursos no gabinete (Congresso em Foco). Em abril, a perícia da PF confirmou que a voz da gravação era de Janones. No Conselho de Ética, a defesa dele falou em áudio editado e em perseguição política ligada à família Bolsonaro (Gazeta do Povo).

Em 5 de junho, o Conselho de Ética arquivou a acusação de rachadinha, com relatório de Guilherme Boulos (PSOL-SP) favorável a Janones (CartaCapital; O Antagonista).

Em 6 de agosto, no Brasília Shopping, Janones discutiu com dois homens que, segundo ele, eram apoiadores de Bolsonaro, cuspiu em um deles e foi levado para fora pelos seguranças (Folha Vitória). Disse que agiu em legítima defesa, por temer agressão (Revista Oeste). Nas redes, republicou uma mensagem que pedia a morte dele e da família (IstoÉ).

No mesmo ano, num bate-boca com Nikolas Ferreira no plenário, ameaçou dar um soco no colega (Folha Vitória; Gazeta do Povo).

Em 12 de setembro, a PF o indiciou por peculato, associação criminosa e corrupção passiva, junto com um assessor e um ex-assessor (Poder360). O relatório o descreve como o "eixo central" do esquema (O Antagonista). O vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand viu indícios de rachadinha, mas propôs um acordo para encerrar o caso (CartaCapital).

Ontem e hoje

Setembro de 2024, nas redes, depois do indiciamento. "Isso não tem nada a ver com peculato" (Congresso em Foco).

Março de 2025. O STF homologa o acordo de não persecução penal sobre a rachadinha, "enquadrada como crime de peculato" (STF).

Em março de 2025, a palavra final sobre o caso veio dele mesmo.

2025: a confissão e a suspensão

Em 6 de março de 2025, Janones assinou um acordo de não persecução penal com a Procuradoria-Geral da República. Reconheceu que, em 2019 e 2020, usou o cartão de crédito de um assessor para pagar despesas pessoais (O Fator). Comprometeu-se a devolver R$ 131,5 mil à Câmara e a pagar R$ 26,3 mil de multa, o equivalente a 20% do dano. Com o acordo, a PGR deixa de apresentar denúncia (Gazeta do Povo).

Em 13 de março, numa audiência no STF, ele confirmou o acordo. Em 19 de março, o ministro Luiz Fux o homologou (Portal de Prefeitura). O ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) criticou o que chamou de duplo padrão (O Antagonista). O senador Sergio Moro (União-PR) apresentou um projeto apelidado de "projeto Janones", para obrigar quem admite crime em acordo a renunciar (InfoMoney).

Em 11 de abril de 2025, veio a público que a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes (Avante), tinha obtido na Justiça de Minas Gerais uma medida protetiva contra Janones, com base na Lei Maria da Penha. Segundo os advogados dela, os dois viveram em união estável de 2014 a 2018. Leandra foi assessora de Janones antes de se eleger prefeita, em 2020, e chegou a ser investigada com ele no caso da rachadinha, sem ser indiciada (O Fator).

O processo corre em segredo de Justiça. Segundo a denúncia, em 17 de dezembro de 2024, Janones telefonou ao secretário municipal de Saúde, mostrou material íntimo da prefeita e ameaçou expô-lo. A pressão, ainda segundo a denúncia, era para que ela demitisse a procuradora-geral do município, que tinha se desentendido com Carla Janones, irmã do deputado e secretária de Administração. A procuradora ficou; Carla foi exonerada em 6 de janeiro de 2025, já depois da medida (O Fator, acima). O DGABC situa a decisão em dezembro de 2024 (DGABC).

A decisão, da Vara Plantonista, proíbe Janones de manter contato com a prefeita e a família dela, de ficar a menos de 300 metros dela, de familiares e de testemunhas, de frequentar os lugares que ela frequenta e de divulgar qualquer material da intimidade dela (O Fator, acima). A Justiça autorizou a prisão em caso de descumprimento (Diário do Poder). Janones negou em vídeo: "Eu não enviei nenhuma foto, eu não cometi nenhum crime" (Itatiaia).

Em 9 de julho, durante discurso de Nikolas Ferreira (PL-MG) no plenário, Janones o insultou e bateu boca com deputados do PL. Ele diz ter sido agredido (Mais Goiás). Em 15 de julho, o Conselho de Ética aprovou, por 16 votos a 3, a suspensão cautelar do mandato por três meses (Diário de Pernambuco). O relator, Fausto Santos Jr. (União-AM), considerou homofóbicas as palavras usadas (SBT News).

Foto do capítulo de 2025
Reprodução/Internet

Janones anunciou que recorreria ao plenário, mas desistiu depois que parlamentares indicaram que a pena poderia subir para seis meses (Gazeta do Povo). Voltou à Câmara em 13 de outubro (Congresso em Foco). Já acumulava dez representações no Conselho (O Fator). Em novembro, o Conselho negou o arquivamento de uma delas, que o acusa de ter dado informação falsa à Câmara ao negar a rachadinha em 2024 (O Fator).

Ontem e hoje

Setembro de 2023, ao ser condenado a indenizar Nikolas. Janones disse que um democrata cumpre a decisão da qual discorda (Poder360, via Terra Brasil).

Julho de 2025, ao ser suspenso. Chamou a punição de "desproporcional" e anunciou recurso (Diário de Pernambuco). Desistiu no dia seguinte (Gazeta do Povo, acima).

Em 2026, ano de eleição, Janones trocou de partido e voltou ao centro da campanha de Lula.

2026: o "Exército do Lula"

Em março de 2026, na janela partidária, Janones deixou o Avante, depois de oito anos, e se filiou à Rede Sustentabilidade, federada com o PSOL (Pleno News). Segundo aliados, saiu por entender que o Avante tinha se aproximado da direita (O Fator). Em junho, assumiu a liderança da Rede na Câmara e declarou: "Se eu já tocava o terror antes". Completou que agora terminaria de enterrar a extrema direita (Revista Oeste, com Metrópoles).

Em abril, ele tinha criado o canal de WhatsApp "Exército do Lula" (AFP, via Buenos Aires Times). Em 4 de outubro, no primeiro turno, foi reeleito deputado pela Rede (BP Money), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente de Lula na disputa presidencial (CNN). A partir daí, Janones passou a distribuir "missões" diárias aos seguidores: hashtags, comentários, curtidas e recrutamento (CNN, mesma reportagem).

Imagem de vídeo do capítulo de 2026
Reprodução/Internet
Data O que aconteceu com Janones e o canal Fonte
08/10/2026 TSE manda remover publicações de Lula, Janja, Janones e Lindbergh Farias (PT-RJ) contra Flávio Bolsonaro Correio
11/10/2026 Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e ministro do STF, suspende o canal a pedido de Flávio; no mesmo dia, o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva derruba a decisão Bem Paraná
13/10/2026 Nunes Marques volta a derrubar o canal e exige registro na Justiça Eleitoral; a campanha de Lula registra o canal como meio oficial de propaganda DGABC
14/10/2026 O canal volta ao ar Portal de Prefeitura
Outubro de 2026 A campanha de Flávio acusa Janones de orientar buscas no Google por "Bolsonaro mandou matar Lula" Correio da Manhã
Outubro de 2026 Análise pedida por Nunes Marques não encontra novas publicações com as afirmações investigadas SBT News
23/10/2026 A campanha de Flávio convida Leandra Guedes, que tem medida protetiva contra Janones, para o debate da TV Globo; Janones não vai aos estúdios DGABC
25/10/2026 Lula vence o segundo turno e chama Janones de "nosso general"; no X, Janones diz que a denúncia de "tentativa de golpe" deve continuar e promete manifestações O Liberal

O tamanho do canal foi divulgado em momentos diferentes, por fontes diferentes. A CNN fala em 50 mil seguidores antes do primeiro turno; a Al Jazeera, em cerca de 60 mil depois dele.

Gráfico: seguidores do Exército do Lula
Fonte: Al Jazeera, Agência Brasil (número informado por Janones), O Liberal e AFP · 4 a 25/10/2026. Toque na imagem para ampliar.

As duas suspensões do TSE não interromperam o crescimento: entre 13 e 25 de outubro, o canal mais que dobrou.

A medida protetiva de 2025 voltou à campanha. Em março de 2026, Leandra Guedes disse nas redes ter sofrido violência psicológica e política do deputado, mas não física; procurado pela Itatiaia, ele não respondeu (Itatiaia). Em 23 de outubro, dia do último debate antes do segundo turno, nos Estúdios Globo, no Rio, a coluna de Letícia Casado, do UOL, revelou que aliados de Flávio tinham convidado a prefeita para assistir ao confronto. Com a medida em vigor, a presença dela poderia impedir a dele. A campanha de Lula confirmou que Janones não iria aos estúdios e acompanharia o debate por uma transmissão na internet, que ele já tinha anunciado na véspera (DGABC, acima).

Leandra foi ao debate. No dia seguinte, disse: "Não é sobre vingança, nunca foi". Janones afirmou que já não pretendia ir, porque faria uma live de 24 horas em apoio a Lula, e contestou o relato da ex-companheira (Poder360).

Ontem e hoje

11 de outubro de 2026, quando o canal voltou ao ar. "Caiu a censura!" (O Povo).

2 de novembro de 2026. O professor Viktor Chagas (UFF), ouvido pela CNN, descreve o método de Janones: mensagens emocionais, linguagem agressiva e, às vezes, conteúdos de origem duvidosa (CNN, acima).

A OAB: três suspensões e o risco de exclusão

Janones é advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais desde maio de 2009 (Aos Fatos). Entre 2021 e 2025, a seccional mineira o suspendeu três vezes. Os processos correm sob sigilo, e a certidão que confirma as suspensões não informa os motivos (Revista Oeste).

Processo disciplinar Suspensão O que se sabe Fonte
Nº 9164/2017 26/04/2021 a 26/05/2021 Motivo não divulgado O Fator
Nº 3482/2019 24/06/2022 a 21/01/2025 Motivo não divulgado O Fator
Nº 551/2019 Desde 22/01/2025, por 30 dias, mantida até que ele preste contas Segundo o despacho, a suspensão continua até a prestação de contas O Fator

Os motivos nunca foram divulgados oficialmente. Segundo uma fonte ouvida pela Itatiaia, ao menos uma das infrações foi a recusa em repassar a um cliente o dinheiro de uma ação vencida (Itatiaia). No Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), recusar-se sem justificativa a prestar contas ao cliente é infração (artigo 34, inciso XXI), e a suspensão por esse motivo dura até que as contas sejam prestadas (artigo 37, parágrafo 2º) (Planalto, Lei 8.906/1994).

A versão de Janones, dada por sua equipe em fevereiro de 2025: uma das sanções, nascida da reclamação de uma cliente, foi derrubada em primeira instância depois que ela confirmou não ter feito pagamentos a ele. A equipe disse ainda que, em setembro de 2021, ele pediu o cancelamento da inscrição por não querer mais advogar (O Fator, acima). Não encontramos registro de que o cancelamento tenha sido feito: em 2024 e 2025, o cadastro aparecia como suspenso.

Em dezembro de 2024, Janones pediu à Procuradoria-Geral da República a extinção do PL. Não se apresentou como advogado, mas assinou o pedido com o número de inscrição 119.293, que constava como suspenso no cadastro da OAB (Poder360). Procurado pelo Estadão, não respondeu (IstoÉ Dinheiro, com Estadão).

Pelo Estatuto, quem é suspenso três vezes pode ser excluído da Ordem (artigo 38, inciso I). A exclusão exige o voto de dois terços do Conselho Seccional (O Fator, acima). Em março de 2026, a Itatiaia informou que Janones pode ser expulso, que ainda cabe recurso ao Conselho Pleno da OAB-MG e que, segundo um interlocutor, dificilmente ele terá sucesso. A OAB-MG não confirmou a existência de processos, por causa do sigilo. Procurado pela coluna Poder em Minas, Janones respondeu: "Caguei". Sua assessoria disse que ele já tinha pedido "várias vezes" para ser retirado dos quadros da Ordem (Itatiaia). A legenda da foto da primeira reportagem diz que ele "foi expulso", mas o texto diz que ele "pode ser".

Em junho de 2026, Janones foi à Justiça contra uma publicação que dizia que ele tinha sido excluído da OAB. A defesa afirmou que ele continua regularmente inscrito (Itatiaia). A juíza Geilza Fátima Diniz, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, negou a remoção: a inscrição atual não descarta uma sanção futura, e retirar o texto antes de ouvir a outra parte seria censura. Já o desembargador Sálvio Chaves, do Tribunal Regional Eleitoral de Minas, mandou remover a publicação por propaganda antecipada, porque Janones era pré-candidato ao governo do estado (Metrópoles).

Ontem e hoje

Fevereiro de 2019. Depois da tragédia de Brumadinho, Janones disse nas redes que tinha recebido recado de que seria expulso da OAB se advogasse de graça para as famílias das vítimas. O Aos Fatos concluiu que era falsa a informação de que a OAB ameaçava expulsar quem ajudasse as vítimas (Aos Fatos).

Março de 2026. Diante do risco de exclusão depois de três suspensões, a resposta da assessoria foi uma palavra: "Caguei" (Itatiaia).

Onde tudo está hoje

Janones não tem condenação criminal. Tem uma condenação cível, uma suspensão de mandato e uma confissão feita em acordo para não ser processado.

O caso da rachadinha em dois caminhos
Fonte: Dossiê, a partir das fontes dos capítulos de 2019 a 2026 · cada coluna em ordem de data. Toque na imagem para ampliar.

Na Câmara, a acusação foi arquivada em 2024. Na Justiça, terminou em acordo, sem denúncia nem condenação. Não encontramos a decisão final do STF sobre o fim da punibilidade.

Caso Situação em 2 de novembro de 2026 Fonte
Rachadinha (STF, Inquérito 4949) Acordo homologado em 19/03/2025. Depois de comprovado o pagamento integral, a PGR pediu ao STF a extinção da punibilidade. Não encontramos a decisão final de Fux. Itatiaia
Conselho de Ética Processo disciplinar pelas ofensas a Nikolas, aberto em 05/08/2025; em 03/12/2025, o Conselho admitiu a Representação nº 14/2025, do PL. Não encontramos o desfecho. Congresso em Foco; Câmara
Indenização a Nikolas Ferreira Condenação de R$ 5 mil confirmada em setembro de 2023. Poder360, via Terra Brasil
Notícia-crime de 41 deputados sobre o livro (out/2023) Não encontramos decisão do STF. Poder360
Queixa-crime de Michelle Bolsonaro (PL) Janones foi notificado pelo STF em julho de 2026, com 15 dias para responder. Correio da Manhã
Ação de Jair Bolsonaro (PL) no STF Relatada pelo ministro André Mendonça. CartaCapital
Ação cível de Bolsonaro sobre "mandar matar Lula e Alckmin" Rejeitada; Bolsonaro foi condenado a pagar os honorários do advogado de Janones. Gazeta do Povo
Mandato Reeleito em 2026 pela Rede, partido que lidera na Câmara. BP Money
OAB de Minas Gerais Três suspensões (2021, 2022 a 2025 e desde janeiro de 2025). Risco de exclusão noticiado em março de 2026; em junho, a defesa disse que ele segue regularmente inscrito. Não encontramos decisão do Conselho sobre a exclusão. O Fator; Itatiaia; Metrópoles
Medida protetiva pedida por Leandra Guedes (Lei Maria da Penha) Decisão da Justiça de Minas (dez/2024, divulgada em abr/2025), em segredo de Justiça. Janones nega as acusações. Não encontramos confirmação pública de que todas as restrições seguem em vigor. O Fator; DGABC

Fontes

Em ordem de publicação. Algumas reportagens exigem assinatura.

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